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Dor é tudo aquilo que alguém diz que dói, desde que ele não esteja mentindo ou simulando. E mesmo nestes casos, tais pessoas terão adotado um estilo de vida, de ser, de estar , de existir, estruturado pelo “conceito” de dor, geralmente da dor da vida, da dor da alma. Em 1986, a Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP) conceituou cientificamente dor como “uma experiência sensorial e emocional desagradável que é associada a lesões reais ou potenciais ou descrita em termos de tais lesões”. A dor é sempre subjetiva e cada individuo aprende a utilizar esse termo através de suas experiências pessoais relacionadas às lesões em seu organismo no inicio de sua vida.

A dor, como qualquer outra sensação, tem para os organismos vivos uma função de adaptação. Assim, a dor aguda serve como alerta, indicando que alguma coisa está errada com o indivíduo. Já a dor crônica, decorrente de estímulo contínuo, causa sofrimento e incapacidade, mas sua função biológica é menos definida.

A dor crônica é responsável por aproximadamente 80% das consultas aos profissionais de saúde. Constitui um problema grave de saúde pública e social, com impactos astronômicos na economia mundial e apesar dos avanços nos diagnósticos e terapias em diversas áreas da saúde, ainda continua sendo condição frustrante para pacientes, médicos, reabilitadores, estudiosos em saúde pública, empregadores, políticos da saúde e sociedade. A dor evoca emoções e fantasias, muitas vezes mais incapacitantes que as condições sintomáticas que as originam, e que traduzem sofrimento, incertezas, medo da incapacidade e da desfiguração, preocupações com perdas materiais e sociais, do que resultam limitações para a realização das atividades profissionais, sociais e domiciliares. A dor também altera o afeto, o ritmo de sono, o apetite e o lazer. A incapacidade gerada pela dor crônica induz os indivíduos acometidos a perder sua identidade nos ambientes de trabalho, na família e na sociedade e a modificar suas aspirações. Frequentemente os pacientes com dor crônica vivenciam situações de extrema dificuldade no ambiente de trabalho, familiar e social; enfrentam olhares de descrença quanto ao adoecimento, em decorrência da disparidade entre a intensidade dos sintomas e a escassez dos sinais físicos. De funcionários úteis e integrados à estrutura da empresa, passam a sentirem-se indesejados e excluídos do convívio com os colegas e a sofrer desconfiança e hostilidade das chefias e tem situação indefinida e incerta, seja pela dificuldade de tratamento e ou recuperação seja pela possibilidade de demissão. A esses problemas adicionam–se as conseqüências naturais financeiras e sociais que acentuam a sensação de realidade da gravidade das lesões.

A modificação dos hábitos e atitudes do enfrentamento dos processos dolorosos e dos conflitos cotidianos, o estímulo para o desenvolvimento de atividades lúdicas, físicas e culturais que melhorem a qualidade de vida, a readaptação dos indivíduos às atividades físicas e a expansão das possibilidades de comunicação inter e intra-pessoais objetivando independência e autonomia, são necessárias para complementar as metas da reabilitação. O retorno dos indivíduos às atividades profissionais é etapa fundamental do programa de tratamento; o simples afastamento temporário do trabalho, seguido do retorno aos padrões prévios das atividades, pode desencadear, agravar ou tornar mais incapacitantes as síndromes algicas. A adaptação dos instrumentos para a execução de tarefas,a adequação das posturas durante o trabalho, o respeito aos períodos de repouso e a reorganização das tarefas, são também medidas de grande importância durante a reintegração profissional e pessoal dos pacientes. 

A dor pode ser classificada de diferentes maneiras. Segundo a duração, em aguda e crônica; Conforme a origem em nociceptiva, neuropática e psicogênica; e de acordo com a estrutura, em somática e visceral. 

DOR AGUDA:

Manifesta-se transitoriamente durante um período relativamente curto, de minutos a algumas semanas, associadas as lesões em tecidos ou órgãos, ocasionadas por inflamação, infecção, traumatismo ou outras causas. Normalmente desaparece quando a causa é corretamente diagnosticada e quando o tratamento recomendado pelo especialista é seguido corretamente pelo paciente.

DOR CRÔNICA 

Tem duração prolongada, que pode se estender de vários meses a vários anos e está quase sempre associada a um processo de doença crônica. A dor crônica também pode ser conseqüência de uma lesão previamente tratada.

DOR RECORRENTE

Apresenta períodos de curta duração que se repetem com freqüência , podendo ocorrer durante toda a vida do indivíduo, mesmo sem estar associado a um processo específico.

Fonte: Site da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (www.dor.org.br)

 

A IMPORTÂNCIA DA FARMACOTERAPIA E O PAPEL DO FARMACÊUTICO NO TRATAMENTO DA DOR

O estado doloroso, especialmente os crônicos, tem grande impacto em termos individuais e de saúde pública. Para o lado pessoal, as conseqüências são catastróficas, sendo sérios os prejuízos, quanto ao apetite, sono, humor, lazer e atividades físicas e intelectuais. Longe vai o tempo em que sentir dores era virtude, porque purificava a alma e aperfeiçoava o caráter (Jacobsen 2003). Para o lado social, os custos em saúde pública e a queda da produção alcançaram valores extraordinários.

Basicamente o tratamento da dor envolve a determinação da causa e dos fatores agravantes/pertinentes.

Quando indicado, o tratamento farmacológico é de grande valor e oferece extraordinárias possibilidades. É, por muitas vezes eficaz por si mesmo. Nem sempre é invasivo, seu custo é baixo, não requer equipamentos complexos, alcança a maioria da população , é cômodo e constitui apoio para as terapias reabilitadoras e cirúrgicas, facilitando a adesão dos pacientes a estes tratamentos. A “Cesta farmacológica” compõe-se basicamente de fármacos analgésicos e adjuvantes da analgesia.

A participação do farmacêutico é relevante na equipe. Historicamente, o tratamento da dor pelo padrão ouro dos analgésicos, o opióide/morfina deve tributo ao farmacêutico. A relevância do farmacêutico é ampla e manifesta-se na elaboração de preparações magistrais nas associações medicamentosas compatíveis, na orientação dos doentes por ocasião da dispensação dos medicamentos, no aconselhamento quanto às interações entre fármacos, no esclarecimento quanto aos períodos de administração, na própria administração, quando parenteral, e no apoio psicológico do enfermo. 

O resultado do tratamento da dor é função não apenas do diagnóstico e da função apropriada, mas de todos os fatores acima descritos.

No âmbito da pesquisa em dor, o farmacêutico exerce papel fundamental na elaboração de novas fórmulas (farmacologia clínica), no desenvolvimento de novos produtos, como os de origem vegetal, e novas combinações de drogas e nas avaliações clinicas dos níveis plasmáticos.

 

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Revisado: agosto 09, 2005