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Adolescência, porta aberta para as drogas

A adolescência é um período fértil para as experimentações. Nessa fase, a receptividade às drogas é grande e todo cuidado é pouco. Uma pesquisa realizada pela psicóloga Simone Oliani, com 1.300 adolescentes de 10 a 17 anos, mostrou que 50,4% já tinham experimentado algum tipo de droga, incluindo álcool e cigarro. A mesma pesquisa foi realizada outras três vezes pela psicóloga, em épocas e cidades diferentes. A constatação é surpreendente. “Embora tenha limitado a idade mínima dos entrevistados a 10 anos, muitos responderam que tiveram o primeiro contato com a droga antes dessa idade. Notamos que eles experimentam algum tipo de droga cada vez mais cedo”, comenta.

“...50,4% já tinham experimentado algum tipo de droga, incluindo álcool e cigarro.”

Segundo a psicóloga, a maioria dos pais não está atenta à principal droga e mais perigosa, que é o álcool. “Eles experimentam a bebida alcoólica dentro de casa, sob os olhos dos pais”, alerta a psicóloga, acrescentando que essa droga é perigosa porque é estimulada socialmente. Outra droga preocupante, alerta Simone, é o cigarro de tabaco, também estimulado e aceito socialmente. “Dessas para outras drogas é só uma questão de ter acesso”, pondera.

“...a maioria dos pais não está atenta à principal droga e mais perigosa, que é o álcool.”

O álcool ilude os pais, que acham que os filhos só bebem pouco e em festinhas, quando na verdade estão bebendo muito. Além dos males que causa a médio e longo prazo, ele é um agente poderoso e capaz de relaxar todas as censuras, abrindo as portas para que outras drogas entrem na vida dos filhos.
Os pais, destaca Simone, devem estar atentos a mudanças de comportamento, com agressividade exacerbada, e também precisam saber com quem seus filhos andam. “Os usuários de drogas se atraem”, explica ela. Conhecer as amizades não significa que os pais devam interferir, proibindo os filhos de saírem com os amigos. “Não é aconselhável que os pais proíbam as amizades dos filhos e sim que os ensine a dizer não às drogas, e isso começa dentro de casa”, comenta a psicóloga.
Constatado o uso de drogas, Simone Oliani orienta os pais a se unirem às famílias do grupo de amigos do filho. “O grupo de famílias deve se unir para salvar seus filhos. Juntos, podem procurar auxílio em grupos anônimos de ajuda mútua ou um profissional especializado na área de drogadição. Em Londrina existem vários deles. A melhor arma para os pais é a informação. Eles devem estar preparados para enfrentar o problema e procurar ajuda com quem entende”, diz ela.

”...ensine a dizer não às drogas, e isso começa dentro de casa”

Efeitos no organismo

Além de estarem atentos às mudanças bruscas de comportamento dos filhos, os pais podem perceber que algo está errado ao observarem mudanças de odores dos filhos. “Mesmo que eles tenham usado alguma droga que deixe menos sinais externos, haverá uma alteração no odor. Ao abrir a porta do quarto em que o filho dorme, pela manhã, os pais podem perceber odores estranhos”, indica a psicóloga Simone Oliani. O uso de colírio pode ser outro indicativo, pois evitam que os olhos fiquem vermelhos. Confira algumas das drogas mais usadas e seus efeitos:

Maconha: Efeitos variam, de acordo com a qualidade do produto usado. Normalmente a pessoa fica mais tranqüila, come mais, fica eufórica, às vezes, o usuário ri sem motivos aparentes, apresenta alteração de memória, surgem medos, sensação de mal estar, falta de motivação.

Cocaína: A droga é cara e os pais podem ficar desconfiados caso o filho esteja gastando muito dinheiro ou esteja sumindo objetos de casa. Os efeitos aparentes são euforia, mania de grandiosidade, aumento de agressividade, dificuldades, por parte do usuário, de avaliar e julgar seus atos, ele fala com rapidez, diminui as sensações de fome, sono e de fatiga, congestão nasal, se cheirar a droga e, no caso de estar injetando, o usuário passa a usar mangas longas mesmo no calor. Com o aumento das doses, podem ocorrer alucinações auditivas e táteis. Podem ser observados ainda o comportamento depressivo e baixa estima, quando passa o efeito da droga.

Cola, solventes e aerosóis (lança-perfume): Euforia, desinibição, sensação de estar flutuando, sonolência, amnésia no pico de inalação, percepção errônea da realidade, boca seca, irritação nas mucosas, alta sensibilidade à luz, tosse, irritação na garganta, vômito, diarréia, arritmia cardíaca, diminuição da fome.

Ansiolíticos, hipnóticos: sonolência, sensação de que os problemas sumiram, pode ocorrer redução dos batimentos cardíacos e respiração. Em dosagens altas, podem aparecer alucinações auditivas. Os pais devem evitar se auto-medicar sem prescrição médica, ensinando seus filhos a fazerem o mesmo.

Dr. Walter Marcondes Filho

 


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Revisado: agosto 09, 2005